O Ano Internacional do Entendimento Global chega ao fim

terça-feira, 29 de novembro de 2016



“Construindo pontes entre os pensamentos globais e as acções locais”

Com o fim de 2016 encerram-se as atividades do Ano Internacional do Entendimento Global da ONU.

A Ecoanzol participou dessa história com a apresentação do PSA Olhos d'Água de Carapebus/RJ na Conferência Internacional Sul-Americana: Territorialidades e Humanidades na UFMG-Brasil, mostrando o trabalho de Gestão Integrada do Território do Programa Olhos dÁgua iniciado efetivamente nas regiões Norte e Noroeste Fluminense.

O encerramento do ano ocorrerá e 14 de dezembro em Lisboa/Portugal - Academia das Ciências de Lisboa, no Colóquio Nacional de Enceramento do Ano Internacional do Entendimento Global



O objetivo central do Ano Internacional do Entendimento Global é discutir a globalização, nas suas dimensões internacional, nacional e regional, enquanto a Conferência Mundial de Humanidades visa refundar as Ciências Humanas, retomando o seu lugar na sociedade cont emporânea e aprofundando a dimensão transdisciplinar da pesquisa, em face das necessidades da Humanidade no século XXI.

Promovido pelo Conselho Internacional de Ciências (ICSU), Conselho Internacional das Ciências Sociais (ISSC) e pelo Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas (CIPSH) o  Ano Internacional do Entendimento Global (AIEG - IYGU) tem por objetivo a promoção de um melhor entendimento sobre o impacto global das ações locais, para estimular políticas inovadoras que respondam aos desafios globais, como as mudanças climáticas, a segurança alimentar ou as migrações.

“Queremos construir pontes entre os pensamentos globais e as ações locais"
“Só quando compreendermos verdadeiramente as consequências das nossas escolhas pessoais no planeta – por exemplo quando comemos, bebemos e produzimos – é que poderemos fazer mudanças adequadas e efectivas”, afirmou o Prof. Benno Werlen da Universidade Friedrich Schiller, de Jena, na Alemanha, iniciador deste projeto da União Geográfica Internacional (IGU).

Para obter exito o ano teve como objetivos específicos:

1) Promover uma melhor compreensão global no apoio à cooperação económica, social e cultural da humanidade.
2) Recordar que as ações do dia-a-dia são importantes nas alterações climáticas globais.
3) O entendimento global baseia-se na investigação comum entre as ciências sociais e naturais e as humanidades.
4) As mudanças devem começar localmente para alcançar um nível mundial.
5) As sociedades necessitam de um entendimento global para gerirem a mudança de forma sustentável.

E também seis fundamentos:

1) Criar uma consciência integral sobre a tradição natural e cultural na ação humana
2) Contribuir para modificar os hábitos nocivos para o meio ambiente mediante a elaboração de modelos de práticas alternativas exemplares
3) Promover a tomada de consciência da capacidade e das responsabilidades individuais relativas às decisões quotidianas
4) Encorajar cientistas e estudiosos das humanidades a participarem de investigações transdisciplinares sobre a sustentabilidade
5) Produz módulos didáticos sobre diretrizes de estudos que se aplicarão a todos os níveis de ensino e educação
6) Servir de catalisador para a cooperação transdisciplinar nas práticas sociais.

Como integrar os conhecimentos científicos nos estilos de vida, tornando-os mais sustentáveis, será o foco principal das actividades em 2016 – projectos de investigação, programas educativos e campanhas de informação. O projecto visa ir mais além do campo restrito da protecção ambiental e das políticas sobre o clima, abordando os temas da qualidade de vida e da sustentabilidade e uso dos recursos locais no longo prazo.

“Vivemos no mundo mais interligado da História. No entanto, ao mesmo tempo esse mundo é dilacerado por conflitos, deslocações e incertezas – uma mistura, instável e perturbante, de enormes oportunidades e de riscos existenciais”
“Encontrar um equilíbrio positivo vai exigir uma revisão intelectual dos fundamentos e novas formas de colaboração, como as que o AIEG propõe”, disse Lord Anthony Giddens, antigo Director da London School of Economics, no Reino Unido.
“O desenvolvimento sustentável é um desafio global, mas atingi-lo requer uma transformação do local – a forma como cada um de nós vive, consome e trabalha. Ao mesmo tempo que as negociações globais sobre o clima enfrentam a questão da crise de sustentabilidade a partir de cima, o AIEG complementa-as de forma muito bela através da coordenação de soluções partir de baixo – levando as pessoas a entender e a modificar os seus hábitos quotidianos. Esta dupla abordagem aumenta as nossas hipóteses de sucesso contra esta crise, a mais grave que a Humanidade já enfrentou”, disse o ex-Presidente do ICSU e Prémio Nobel Yuan-Tseh Lee.

Por exemplo, em cada dia em 2016, o AIEG irá destacar uma mudança numa ação quotidiana que a ciência tenha comprovado ser mais sustentável do que as práticas actuais. Exemplos da vida quotidiana que tomam em conta a diversidade cultural e as práticas locais serão compilados e disseminados.

“Hoje, mais do que nunca, é vital que encontremos a força para entender e relacionar as posições, pensamentos e expectativas dos outros, e procuremos o diálogo em vez da confrontação.”, disse Klaus Toepfer, Director Executivo do Instituto para os Estudos Avançados sobre Sustentabilidade (IASS).

Espera-se que este foco em acções locais, concretas, gere ideias de programas de pesquisa e curricula escolares, bem como que destaque exemplos das melhores práticas. Sempre que possível, as actividades devem ser comunicadas em diversas línguas. Usando esta abordagem de baixo para cima, o AIEB espera apoiar e ampliar o trabalho de iniciativas como Future Earth, a Agenda das Nações Unidas para o Desenvolvimento Pós-2015 e a Década das Nações Unidas pela Educação para o Desenvolvimento Sustentável.
“No Ruanda, a poluição ambiental com lixo de plástico era um problema disseminado e insuperável. Finalmente, foi o entendimento de que o plástico é prejudicial para os animais ruminantes, em especial as vacas, que mudou a tendência a favor da legislação ambiental. Isto levou à proibição de objectos de plástico que gerem lixo. Hoje, é preciso esforço para encontrar plástico a poluir as áreas públicas do Ruanda”, disse o prof. Werlen.

O envolvimento do ISSC, do ICSU e do CIPSH no AIEG testemunha uma ampla colaboração entre as ciências naturais e sociais e as Humanidades, através de fronteiras disciplinares e entre todos em todo o mundo.

“O modelo dominante, que favorece a cultura do ter, do lucro e da exploração sem limites da natureza, está a levar o nosso planeta ao desastre: é urgente promover novas atitudes no quotidiano que encontrem as suas raízes numa cultura do ser, como fundamento de uma harmonia com o ambiente no seu sentido mais amplo. É esta a razão de organizarmos um Ano Internacional do Entendimento Global, e de a Conferência Mundial das Humanidades, em 2017 em Liège, discutir as bases teóricas desta mudança de paradigma.” Referiu o Dr. Adama Samassekou, antigo Ministro da Educação e Presidente da Conferência Mundial das Humanidades (que a UNESCO, o CIPSH e LIEGETOGETHER estão organizando para 2017): 

Em 2016, o programa do AIEG será coordenado por cerca de 50 Centros de Ação Regional. Esta rede está atualmente sendo estabelecida em cidades como Tóquio, Washington, São Paulo, Tunis, Moscovo e Roma, estando já confirmados os Centros, de alcance regional e continental, em Beijing, Cidade do México, Mação/Coimbra, Nijmegen, Hamilton, Bamako e Kigali. A secretaria geral do AIEG em Jena, Alemanha, coordenará estes Centros de Ação Regional.

Como referiu o Doutor Eliezer Batista, pioneiro da sustentabilidade e co-fundador do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), “O conhecimento é o factor que nos leva a mudar a nossa forma de pensar. No entanto, é o entendimento que leva à mudança de atitudes. O IYGU coloca sua ênfase na diversidade dos caminhos culturais que levam à sustentabilidade global. E em como só a mudança de atitudes individuais pode levar à mudança da acção colectiva, cujo resultado será a melhoria do sistema na escala global.”

Créditos Texto e Edição final: Marcelo dos Santos Ferreira
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